quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Onde os Fracos Não Têm Vez...

Vi ontem na TV um programa que me pareceu extremamente oportuno para o contexto atual. Não me perguntem o nome porque já peguei o "bonde andando", mas a idéia é colocar uma espécie de "Super Nanny" das finanças organizando o orçamento de uma casa. Nesse programa específico, uma jovem de 25 anos, que morava em NY, estava completamente atolada em dívidas e a super-heroína da economia tinha que tirá-la dessa situação. Quando encontrei o canal - que agora não me lembro qual era - as duas estavam tendo a seguinte conversa:
- Porque você deixou a situação chegar a esse ponto?
- Eu não sei....
- De agora em diante, nunca mais me diga que "eu não sei". Porque você sabe exatamente porque preferiu comprar um vestido ou um carro em vez de pagar as prestações da hipoteca da sua casa.
- Eu achei que como sou jovem ia conseguir sair da situação, dar um jeito. Afinal, é preciso aproveitar a vida enquanto se tem idade para aproveitá-la...
- Não me diga que aproveitar a vida é contrair um empréstimo com as piores condições que eu já vi na minha vida. O que você fez, querida, foi o seu completo suicídio financeiro.
Depois de lágrimas e lamentações, a especialista começa, então, a fazer cortes e mudanças no estilo de vida da personagem. "Meu Deus, como vou viver sem as unhas feitas?". "Eu não posso ficar sem sair com as minhas amigas no final de semana" e blá blá blá. Lógico que como todo reallity show que se preze a garota vai superar vários obstáculos, fazer sacríficios e no final será recompesada porque superou seu fracasso financeiro. Uma pergunta não me saía da cabeça enquanto eu via a cenas: serão os endividados os novos heróis americanos? Afinal, eles têm que lutar com uma monstruosa lógica do consumo, que cria a cada minuto novas necessidades inúteis. Além disso, combater uma ideologia do prazer imediato, de aproveitar a vida ao máximo, sem pensar no futuro. "Don´t worry. Be happy". Agora, o povo americano - e por consequinte toda a sociedade ocidental - está vendo que há, sim, muitos motivos para se preocupar. O estilo de vida americano é incompatível com uma economia equilibrada. A aquisição de bens não gera só status, mas a definição de um papel no mundo, uma identidade. E não ter essa possibilidade é se perder socialmente. Não é à toa, que deixar de fazer as unha para essa moça seja um drama sem precedentes. Mas, aos poucos, a realidade passa ditar novas regras. Foi incrível ver a "personal" das finanças perguntar sobre emprego para a moça:
- Por que você não está trabalhando na sua área?
- Porque eu não me sentia feliz na minha área....
- E o que você ganha nesse outro trabalho está sendo suficiente para pagar as suas dívidas?
- Não.
- Então, vá ser infeliz ganhando dinheiro!
A conversa por mais absurda que pareça não deixa de ser engraçada. Por um lado, a sobrevivência falando mais alto que a realização pessoal. Por outro, a descontrução de uma idéia do trabalho "ideal". Ficou claro que não há sentido em falar de satisfação pessoal numa situação de crise. Por mais conservador que esse diálogo pareça, é muito interessante pensar que a continuidade desse sistema depende exatamente isso. Mesmo que depois se vendam livros de auto-ajuda, filmes sobre a realização dos sonhos e drogas da felicidade...Enfim, cada indivíduo tem que guerrear atualmente contra suas próprias escolhas. E na lógica desse mercado - para que o happy end aconteça - só os fortes sobrevivem...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

La nuit du mercredi


Debaixo daquela chuva torrencial rumei para o CCSP em busca de mais uma experiência com a música erudita contemporânea. Um tanto desconfiada (dormi na última apresentação), esperei o concerto da amiga Lucia Cervini e do querido Horácio Gouveia, enquanto lia numa revista semanal que a maioria dos brancos americanos votou em McCain.
Não é que o concerto surpreendeu?! Felizmente tive o prazer da companhia sempre agradável de Don XYZ. Lúcia arrasou na primeira música, de Flo Menezes. “Focalizações sobre uma série (1980) para piano preparado. No começo confesso que remexi na cadeira esperando uma melodia agradável. Música não era para ser fruição? Não. Música contemporânea é para ser forma, como notou Don XYZ. E foi bacana perceber a coreografia corpo da pianista e piano, chegou um momento que entendi que o barato do instrumentista é entrar em sintonia com o instrumento, tirar os sons mais inesperados (como fazer ranger a corda do piano), e ser o elo entre a mente (um tanto maluca) do compositor, a notação musical e a realização da obra. Se o resultado não agrada nossa expectativa do belo, nos intriga e instiga.
Três vazios de Lao-Tsé (1999) para piano, de Marcos Câmara foi uma música agradável, colorida, em torno de um mesmo tema, e voltou a trazer a sensação harmoniosa de que o piano é um instrumento melodioso.
Crucifixus (2005), de Mário Ficarelli, foi maravilhosa. Começou sombria, e trouxe a dimensão profunda do piano e da música. O som foi cercando o ambiente e crescendo, até tocar, em tons mais agudos, no cerne da alma. Fiquei emocionada. Música é vibração, e seus efeitos em nossa percepção são variados. No caso da música contemporânea, em geral, quando a melodia é quebrada e os compassos são irregulares, o efeito em mim, que sou leiga, é de inquietação. Mas nesta música foi pura fruição, uma viagem pelos sentidos de sobriedade, um conjunto de sombras que se iluminam intensamente a cada acorde.
E então remexo na cadeira novamente. Embora impressionada com a interpretação de Horacio Gouveia, “Cortázar ou quarto com caixa vazia (1999), de Silvio Ferraz, foi um experimentalismo que me causou incômodo. Provavelmente para quem conhece música, o efeito deve estar em se deliciar com as peripécias da forma, com os diálogos entre os períodos históricos. Quanto a mim, ficava pensando, “quando ele vai mudar esse tema?!”. A resistência advém da ignorância, afinal.
Por fim, “Prelúdio” (2004) de Edson Zampronha, retomou a sonoridade colorida e as possibilidades sonoras múltiplas do piano. A última nota durou no espaço, lembrando que o silêncio também é música.
Ficamos nos perguntando o que vem depois da música contemporânea. Será que os compositores decretaram o fim da música? Será que é o entendimento de que a experiência da audição é a experiência da vida contemporânea, com seus ruídos incessantes? Se os românticos louvavam a natureza, os contemporâneos traduzem a inquietação das megalópoles, a ausência de sentido que muitas vezes experimentamos na vida, a impressão de estarmos tão distantes de Deus? Ou será apenas experimentação para quem se imbui verdadeiramente da linguagem da música?
De toda forma foi uma noite encantadora. Obrigada, Lucia e Horácio, pelo convite e por trazer essa musicalidade toda para uma gostosa noite de quarta-feira; obrigada, Don XYZ pela querida e gratificante companhia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O dia em que Stipe (não) me convidou pra subir

Minha mãe sempre diz que existem coisas que a gente tem de fazer na hora certa, sob risco de parecermos ridículos. Isso ela falava principalmente quando eu, aos 20, me recusava a usar mini-saias. Ontem, eu me lembrei dessas palavras.
Há umas semanas, eu e amigos decidimos que queríamos muito ver o show do R.E.M, mas não tínhamos como desembolsar as 200 pratas pedidas. Então, elaboramos um plano que parecia bem razoável. Chegaríamos na hora do show e pechincharíamos com cambistas - aqueles seres irritantes, que estão na ilegalidade. O teto seria 100 pilas. Como seriam dois dias de shows, acreditamos que a probabilidade do lance dar certo seria alta. Não deu. Conseguimos um ingresso a 130 reais e só. Como a gente prometeu que não iria rolar frustração (pelo menos aparente), terminamos a noite em uma lanchonete ali do lado. Eis que na volta, cortando caminho pela lateral da casa de espetáculos, um dos nossos some por uma porta de emergência, que parecia dar em lugar nenhum. A comparsa dele foi atrás. Sobramos eu e mais uma, sem muita paciência pra esse tipo de brincadeira. Alguns minutinhos depois e nada. Um deles nos liga, não entendemos nada. Ai ele volta para nos resgatar (isso foi muito fofo da tua parte, PC, muito mesmo). Uns cinco lances de escada depois, Michael Stipe está lá no palco. Ele e "Losing My Religion" e um telão enorme e Obama e a galera delirando. Sim, o risco de parecer ridícula assumindo que fiz uma coisa dessas é enorme - afinal, a adolescência ficou lá lá atrás. Mas foi o "pocket" show na faixa mais incrível que já vi. Agora, só me resta encarar a mini-saia. Antes que seja tarde demais.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Yes, We Can



Uma amiga minha voltou de Nova York há um mês e a única coisa que pedi a ela foi uma camiseta. De Obama. Odeio pensar em política e praticá-la sem conservar intacto o meu senso crítico. Mas como ficar impassível diante da possibilidade de ver o primeiro negro eleito no país mais importante do globo? Um país onde, há cerca de cinqüenta anos, negros eram obrigados a ceder seus lugares em transportes públicos (eu disse públicos), parte deles não votava e o primeiro deles a entrar em uma universidade teve de fazer isso escoltado pela polícia?
Não quero ferir sensibilidades, nem tampouco pedir que esqueçam o que ouvi e escrevi: não faltei às aulas de antropologia e sei que, em outras instâncias, o conceito de raça é uma grande bobagem. Mas essa bobagem tem sido manipulada de forma eficaz há algum tempo. Com resultados trágicos a um grupo de pessoas diferenciadas pela pele -- que, concordo, não são apenas vítimas passivas.
Porque vivemos em uma sociedade movida também por símbolos (como bem me lembrou Aramis), me sinto segura em dizer que, pelo menos nessa seara, algo incrivelmente importante -- histórico -- aconteceu hoje. E que esse algo vai ter impacto para muito além do Malcolm X Boulevard (Harlem, NY).
Por aqui, ter não só Obama, mas uma família negra na Casa Branca (o trocadilho foi sem intenção), pode ser inspirador. Para qualquer um. Domésticas, jovens negros que não passaram pela porta dos colégios e universidades onde estudei, trabalhadores braçais, pelés, sacis, para mim e para você também. Alarga nossos horizontes para além dos elevadores de serviço, entende?
Pense na sua caixa de estereótipos reservada aos negros (eu já ajudei). É ela também que está sendo remexida hoje. E eu desejo que seja uma revolução.

OBAMA: I HAVE A DREAM....


A Vitória de Obama é inspiradora. O novo presidente dos EUA não representa apenas uma nova era, mas uma transformação radical na mentalidade mundial. Barack Obama. Quem imaginaria que um nome desses algum dia estaria nas páginas da História americana? Pois é. Mas o que parecia impossível tornou-se real. Obama é sinônimo de mudança. Mudanças nos padrões, na forma de fazer política e de se pensar a política nos EUA. Depois de oito anos de uma gestão que pensava o governo do país como uma extensão dos negócios de família, os EUA escolheram um homem que não só coloca a política no seu devido lugar, como oferece um governo estrategicamente mais participativo, com uma visão humanitária e que prioriza as questões sociais em detrimento da lógica de mercado. Obama não venceu somente contra os repúblicanos nesse 4 de novembro. Ele é a vitória contra o racismo, a alienação e o conservadorismo. A mudança chegou em todo o Ocidente com essas eleições. Um líder carismático, num país em crise, que desenha um futuro mais otimista para o mundo. Afinal, estamos todos assistindo a realização de um novo - e concreto - sonho americano....

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Cultivar-se

Ontem, uma amiga me falou sobre o ato de "cultivar-se". Fiquei com isso na cabeça e fui procurar auxílio no Aurélio. Cultivar no dicionário seria: "Fertilizar (a terra) pelo trabalho; 2.Dar condições para o nascimento e desenvolvimento de (planta). 3.Fig. Procurar formar; desenvolver: cultivar o gosto pelas letras. 4.Aplicar-se ou dedicar-se a: cultivar as artes. 5.Procurar manter ou conservar: 6.Formar, educar ou desenvolver pelo estudo, pelo exercício. Em todas as definições, um denominador comum para as ações: o "eu" sujeito" que produz ou cria as condições para que algo se desenvolva. Alguém que oferece os meios para o desabrochar de si e dos demais: se cuidando, se acarinhando, crescendo e gerando uma nova realidade. Sinto que de alguma forma tenho feito isso, apesar de me sentir incapaz de prever que tipo de fruto vai sair daí... O fato é que nenhuma mudança é previsível, mas é estranho não saber que rumo posso dar a partir das minhas próprias escolhas. Sei que não tenho aptidão para lidar com as coisas práticas do dia-a-dia. Por isso, talvez, seja mais fácil me refugiar num mundo mais abstrato de idealizações e de subjetivações. No entanto, o que fazer com isso é uma questão. Num mundo de respostas rápidas e demandas objetivas, essa demora por um plano, um projeto ou uma escolha pode ser fatal. Sinto-me deslocada num deserto, sem a ilusão de um óasis. Mas cultivar-se pode signivar também resistir. E para mim, resta seguir e fazer desse cultivo o meu único objetivo imediato.

sábado, 25 de outubro de 2008

É Pra Quando?

E ai, meninas, vocês vêm ou nao me visitar? Estou esperando!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Velha canção


Hoje vou contra o sistema
A propaganda
O aderente mais perfeito
Descobri a minha angústia
E a angústia não é só minha
A cortina se abre
E o mundo continua velho
É o mesmo presidente
O mesmo caos
A mesma asfixia
Tudo velho, nada de novo
"Quero derrubar as cercas
Em que insisto em me defender"
O cão foi despertado:
Feroz, vivo, fugaz
E é ele que eu quero em mim
Porque é preciso ser assim
Ofereço a rosa:"A estúpida e inválida
A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica"
Que ainda é nova
Para os que querem nos destruir

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Loki

"Quando eu digo xis, gostaria que as pessoas entendessem xis".
Arnaldo Baptista, Mutantes

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Viagem ao Centro dos Mundos

Estive pensando sobre viagens. Não somente aquela que nos remete a outros espaços físicos, mas as viagens que nos levam para dentro de nós mesmos. Entre uma e outra, não sei dizer a que mais me instiga. À medida que planejo minha viagem para New York, entro num período particulamente sensível aos devaneios intelectuais. Estou lendo. Lendo muito e cada vez mais longe de uma verdade plausível sobre qualquer coisa. Às vezes, tenho medo que essas viagens me levem a um caminho sem volta, longe da razão e da comunicação com outros seres. Mas, o fato é que nessa trajetória estou encontrando o meu não-lugar no mundo. Uma sensação estranha de não pertencimento, de dupla cidadania entre duas searas: da razão e a do devaneio. Viajar através das mentes, subjetividades e discursos alheios tem sido um prazer enorme. Talvez, elas me ajudem a lidar de forma prática com a vida real. Ou, ao contrário, destruam qualquer possibilidade de realidade. Seja aqui ou em Manhattan, o fato é que uma boa obra te faz pensar sobre que discurso é você. Nessa semana, li "Plataforma" de Michel Houllebecq e assisti um filme francês que não me lembro o nome. Os dois falavam praticamente sobre a mesma coisa: uma situação de individualismo extremo, em que as relações só se dão se fetichizadas. Nessas duas histórias, relações simples como a amizade se tornam peças raras, que precisam ser descobertas através de cursos, excursões, palestras e livros de auto-ajuda. Estou longe dessa situação limite, mas confesso que perdi o interesse, de um modo geral, pelas pessoas. Tenho me limitado a um número certo de amigos, que tenho a certeza de manter um diálogo - e uma convivência - de bom nível. Tudo muito agradável, sem sustos e sem decepções. As outras pessoas - os diferentes, no caso - simplesmente não me interessa conhecer, estabelecer contato ou simplesmente me aprofundar num relação. Por isso, é mais fácil o envolvimento emocional com depressivos, alcóolatras e os comprometidos. Nada de riscos, de sentimentos desperdiçados ou de reações extremas. Tudo aparentemente sob controle e com o contato mínimo para manter os hormônios equilibrados. Talvez, seja por isso que um parágrafo do livro de Houllebecq me tenha tocado particularmente: "como europeu abastado, eu podia comprar a baixo preço, em outros países, alimento, serviços e mulheres; como europeu decadente, consciente da minha morte próxima e plenamente aberto ao egoísmo, não via motivo para me privar de tudo isso. Mas tinha consciência que tal situação não podia continuar indefinidamente, pois pessoas como eu não são capazes de assegurar a sobrevivência de uma sociedade... Mudanças iriam ocorrer, já estavam ocorrendo, mas eu não conseguia me sentir implicado nelas; minha única motivação autêntica era tentar sair daquela bagunça o mais rápido possível". Enquanto isso, minha viagem segue indiferente as oscilações da bolsa...

Barulho Cabeçudo


O mais legal de assistir aos cabeçudos do "Art Ensemble of Chicago" na última sexta-feira não teve, claro, nada a ver com a apresentação. Além de estar entre muito bons amigos, o incrível foi receber essa mensagem no celular, no meio do show: "Flavinha, saí do teatro para encontrar o XYZ. Que som! Amei! Me avise onde vão comer".

Aninha, você é uma peça. Figura rara e incrível.


P.S.: Evinha, obrigada mais uma vez.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Like A Prayer

Caros leitores,
Se alguém tiver ou souber de alguém que tenha um ingresso para o show da Madonna do dia 20 de dezembro, arquibancada vermelha e tope vendê-lo (sei lá, de repente essa pessoa marcou o próprio casamento e esqueceu, descurtiu Madonna, David Banda e cia. ou vai mudar de país), avisem-nos! É urgente!

Cada militante tem o companheiro que merece...

Antes de mais nada, peço desculpas aos amigos internautas por não ter cumprido minha promessa de fazer um Diário de Campo da campanha eleitoral que participei. A falta de computador e o tempo escasso me impediram de fazer os relatos diários do que vi e ouvi nessa época. Mas, vou tentar resumir o que apreendi nesses dois meses de campanha. Uma coisa já adianto a vocês: descobri que a participação política não se resume a um grupo de militantes reunidos numa praça em um dia chuvoso. Ocupei um lugar privilegiado nos bastidores de uma eleição para perceber que o fazer político não se resume apenas a um conjunto de propostas e de ideologias que rodeiam um candidato. Ela se faz também nas rachaduras desse partido, no duelo entre militantes, nos jogos de poder que envolvem uma eleição. Disso resultam os conchavos, as armadilhas, a maneira sórdida em que um grupo de militantes queima o outro. E entre mortos e feridos, uma campanha para ser ganha. O fato é que numa candidatura o que está em jogo é o acesso ao poder. E se por um lado, há os candidatos tentando conquistar esse espaço no legislativo ou no executivo, por outro, há uma disputa interna nos partidos para saber quem vai ficar do lado certo caso vençam as eleições. Pelo que pude ver, um companheiro pode ser o seu pior adversário em época de campanha. Ele não terá o menor receio em destruir sua imagem, desmoralizá-lo publicamente ou comprometê-lo diante do seu partido e dos outros se você tem mais amizade com o candidato do que ele, por exemplo. E se o candidato está próximo da vitória, maior será a distância entre você e o outro militante. Seu companheiro não terá o menor pudor em espalhar boatos, passar informações para os jornais ou simplesmente boicotá-lo financeiramente para minar sua participação nesse período. Ainda que isso coloque em risco o objetivo maior da campanha: vencer nas urnas. Por isso, numa campanha, não basta conhecer os adversários políticos, é preciso antes de mais nada saber quem são seus companheiros de luta...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Eleições 2008




Eu costumava ser petista. Mas isso foi antes de o partido se institucionalizar, e abrir as portas para oportunistas de plantão com intenções para lá de duvidosas. Isso foi na época em que eu acreditava que bastava a pessoa ser de um partido para eu poder confiar que seus ideais e propósitos eram os mesmos que eu cultivo há anos: justiça social, métodos democráticos, liberdade de expressão, superação dos preconceitos. Hoje em dia observo tudo com mais distanciamento. Menos paixão e um tanto mais de razão. Alguns teóricos analisam que a política, no sentido de construção de um mundo comum, anda em franca decadência. Afinal, estamos em um mundo de trabalhadores sem trabalho, em que a gestão é cada vez mais importante do que o debate público sobre nosso futuro. É neste sentido que nesta eleição, como, aliás, nas últimas, votarei no candidato a prefeito do Partido Socialismo e Liberdade. Acompanho a trajetória do partido um tanto de longe, mas o bastante para acreditar que os desiludidos do PT membros do PSOL que ainda têm força de militância são sérios e alinhados a propostas alternativas à construção de uma cidade cada vez mais segregada e excludente. Desconheço artimanhas e alianças escusas (diferentemente do que ando vendo dentro do PT) dentro do PSOL, concordo com as propostas urbanas de prioridade às áreas sociais e democratização do uso da cidade. É porque desejo uma São Paulo mais lúdica, alegre e com equipamentos acessíveis a todos que votarei novamente para vereador no arquiteto e urbanista Nabil Bonduki. Como vereador, foi responsável pela aprovação do plano diretor na cidade e está bastante engajado com políticas para habitação e para a cultura no âmbito municipal. Outra opção é o vereador Carlos Neder, médico sanitarista, com atuação na defesa da saúde pública.
Posso dizer com segurança que conhecer mais de perto a política partidária e circular por alguns meios ligados aos dois maiores partidos da cidade, (o PT e o PSDB) me tornou uma pessoa mais desiludida com esse caminho partidário de encaminhamento da agenda pública. Mas não é por isso que vou deixar de votar de acordo com a minha consciência.

http://www.ivanvalente50.com.br/campanha/CN01/programa/Propostas_para_Sao_Paulo.htm
http://www.nabil.org.br/

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Fim da História


Idéia: que tal o Fukuyama pra comentar a mega crise americana?