sábado, 23 de agosto de 2008

Bate-Papo Coletivo

Uma das coisas mais gostosas quando estamos longe de casa é justamente ligar para casa, ouvir a voz das pessoas conhecidas. Falar com os queridos, que mesmo longe compartilham de nossas experiencias, é muito reconfortante. Com o retorno de Maira a Sao Paulo, depois de uma intensa jornada de trabalho no mundo da politica, decidimos, eu, ela, Diana e Luisa, marcar um horario na casa de Maira para nos falarmos.
Infelizmente, nao conseguimos nos reunir. Diferença de horario, compromissos e pane no meu cartao telefonico internacional impediram nosso bate-papo coletivo. Mais tarde, insisti e liguei novamente para Maira. Conversamos por quase uma hora. Cada cartao dura so 30 minutos. Gastamos dois, mas faltou cartao para falar muito mais. Tudo bem, estou feliz em saber que estamos bem. Meninas, um beijo e so um pouco de juizo, ok?

Amor e Ódio

Trabalhar com política é uma experiência singular. Por um lado, é fascinante entender como as coisas funcionam nos bastidores, como tudo se articula e qual é a lógica do poder. Por outro, é extremamente cansativo operar nessa lógica. Eu pobre mortal do mundo da TV trabalho com tempo, com objetivadade, com coisas práticas. Palavras que definitivamente não são a prioridade dos partidos. O tempo que se perde discutindo o sexo dos anjos é enorme e isso atrapalha todo o operacional. Isso quando não é preciso fazer o mesmo trabalho duas ou três vezes porque cada figura do partido resolver dar sua opinião sobre o conteúdo do programa. Pra ser sincera, até agora não entendo como conseguimos transformar esse Frankstein numa Cinderela. Como os militantes não entendem o processo de TV, não levam em conta uma coisa tão preciosa para os profissionais da área de comunicação: agilidade. As decisões são tomadas, obviamente, pelos interesses do partido. Mas com uma morosidade que é inviável para a produção de um programa. É reunião para discutir os temas das reportagens, reunião para ver o material, reunião para discutir se todos estão de acordo com o que foi produzido...UFA! Enquanto isso, trabalhamos com dois computadores (apenas um com internet), um linha telefônica, sem carro e sem fitas suficiente para fazer tudo o que eles querem. No final, um cansaço enorme e uma vontade de virar anarquista.....

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Aviso aos navegantes


Estamos bem!
Lindas e ocupadas, só isso.

Imagem: www.ibiblio.org/.../auth/turner/i/temeraire.jpg

sábado, 9 de agosto de 2008

Quem Sabe Faz a Hora Não Espera Acontecer...

Há uma semana venho acompanhando a rotina - se é que é possível usar esse termo - de uma campanha política numa cidade interiorana. Achei que esse "diário" podia ser um bom termômetro para se pensar o que acontece no país atualmente. Mas, sinceramente, não sei bem como avaliar tudo que vivi nesses últimos dias. O primeiro impacto foi certamente provocado pela quantidade exacerbada de reuniões que tivemos. Reunião com os coordenadores da campanha, as lideranças, os meios de comunicação locais, os candidatos e finalmente o marqueteiro (o que provocaria as reações mais violentas dos meus amigos de Ciências Sociais). Somado a isso, a falta de organização do lugar: nada de mesa, computador, internet ou linhas telefônicas. Pensei: "Meu Deus, o que estou fazendo aqui"? Cada coisa necessária para a produção do programa - que diga-se de passagem, já estava sendo feita com atraso - tinha que passar por outra série de reuniões para pecorrer todos os trâmites burocráticos do partido. Enfim, era preciso "tirar roçado da cinza" para fazer a coisa acontecer. Mas, ela não só aconteceu como me inspirou pessoalmente. Sem os meios disponíveis para realizar o trabalho de uma forma razóavel, foi a paixão pela política que deu forma ao material que produzimos. E quando digo "paixão pela política" não estou usando só uma força de expressão. Apesar de todo o ceticismo que tenho em relação ao contexto político que vivemos, foi impressionante ver que ainda existem pessoas capazes de dar o sangue por aquilo que acreditam. De encontrar formas de vivenciar a militância que, apesar de muitas vezes vir acompanhado de um discurso ingênuo sobre a realidade, traz para si a responsabilidade de um 'fazer político'. De um ser político. É certo que numa cidade pequena os vínculos com o partido, a religião ou entre os grupos é muito maior. Mas, independente das ideologias que estavam em jogo, a participação popular nesse processo foi realmente emocionante. Ver centenas de pessoas tomarem uma praça - que até então estava deserta - num dia frio e chuvoso para gravar um vedioclipe em apoio ao candidato não me surpreendeu tanto quanto vê-las devotamente participando de todo o processo de campanha, sem pedir remuneração, vantagens ou algum tipo de barganha. Ficava me pergutando se elas realmente acreditavam em tudo que estavam vivenciando e não demorei muito para perceber que sim, elas simplesmente acreditam. Apesar da maioria das pessoas estarem alheias (e nisso eu me incluo) ao blá blá blá dos políticos de carteirinha, alguns cidadãos simplesmente não esperam mais. Elas fazem tudo acontecer.

P.S:. Ah, e para quem possa interessar: o video ficou maravilhoso!!!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Frustração, Teu Nome Será Roberto e Caetano


Lendo blog alheio, lembrei de relatar a minha experiência tentando comprar a droga do ingresso para assistir João Gilberto. Um pouco antes das 10horas de terça-feira começou o meu calvário, que só terminou por volta de 11h15, quando consegui ter acesso ao link para a compra de um ingresso de R$ 360 - que, obviamente, não comprei.
O irônico é que eu conheço a pessoa (talvez a única) que conseguiu comprar dois daqueles ingressos de 30 reais. Ela inclusive serviu de fonte para a matéria da Folha que saiu hoje sobre o auê. E é tudo verdade: eu estava ao lado dela quando ela recebeu o email de confirmação da compra ("sujeita a disponibilidade de lugares"). As 9h30 da manhã!!! Eu bem que tentei...
Quanto ao show do João Gilberto, a frustração nem é tão grande. Tenho boas lembranças do que vi e ouvi a uns 5 anos atrás, sozinha, no Tom Brasil que ficava ali na Vila Olímpia. Estava triste, me sentindo assim, meio largada, e aquele espírito casou perfeitamente com o show.
Frustrada eu vou ficar é na próxima semana quando perder a oportunidade de comprar ingresso para ver o encontro bizarro entre a diva equivocada e o brega mais hypado do Brasil.
Eu quero. Muito!

O Ser Humano É Um Bicho Bonito


Sempre fui atraída pela beleza e pelo viço da juventude. Força e flexibilidade, juventude da pele e da expressão, características que saltam aos olhos nos moços e nas moças. Mais madura eu mesma, tenho percebido a beleza nas pessoas em geral. Confesso que em geral a beleza feminina geralmente me atraía com mais intensidade. As formas harmoniosas, os olhares cândidos, certa doçura ao caminhar. Caminhando pelo centro da cidade cotidianamente tenho olhado para todos, indistintamente. E tenho visto a beleza dos homens. Jovens ou maduros, a beleza está estampada nos rostos e nos corpos, expressões de como a mente de cada um se relaciona com seu corpo. As rugas ganham beleza no conjunto, a forma do bigode ganha historicidade relacionada ao olhar. E o ponto comum, de expressão do ser humano em cada um emana, nos traços duros de um, no olhar ingênuo de outro, na satisfação de alguns. Não procuro mais pelas qualidades apolíneas ou dionisíacas com as quais procurava me relacionar, apenas caminho e observo o que há de comum e belo.

Imagem retirada de: www.livingstonemusic.net/godmenfiles/adonis.jpg.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Pequenas Alegrias

Nunca imaginei que desfazer as malas e poder usar minhas coisinhas, bobagens com as quais estamos acostumados (protetor solar, secador de cabelo, aquela camiseta...) fosse motivo de alegria. Parece tolice, mas é bacana perceber que no final das contas nos contetamos com pouco.

sábado, 2 de agosto de 2008

Volta Ao Mundo Da Politica Em 60 Dias

Amanhã começo nova vida em um outro lugar. Parto para o lugar "X" para gravar os programas políticos do partido "Y". Entro no mundo da política e pretendo mostrar aqui um pouco dos bastidores de uma eleição. A idéia é fazer um petit tour em uma campanha, considerando aspectos pitorescos e inusitados de um "fazer político". Sem desprezar o meio de onde se fala -que, no caso, é uma produtora de TV - interessa apresentar percepções e interpretações do discurso que é feito e como ele é feito para atingir você, amigo eleitor. Que essas humildes reflexões sirvam para entreter, pensar e (re) criar seu lugar nesse país. Ou, pelo menos, para indigná-lo ainda mais ...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Cais Bar



Cais Bar tinha o horizonte e a promessa de felicidade. Não era somente um bar, Cais Bar era o lugar que elegi para me criar. Localizado na Praia de Iracema, em Fortaleza, foi nesse lugar que eu conheci a poesia, a autêntica música brasileira, os primeiros amores e também as longas esperas. O proprietário era obcecado por música e fez de lá um templo para seu culto. Instrumentos musicais eram expostos como santos. A música moldurava o pôr-do-sol e as pessoas comungavam “feijoada com chorinho”. Nas paredes, panéis com as caricaturas dos maiores intérpretes e músicos do Brasil. E, com tudo isso, a paisagem era apenas um terceiro elemento: a luz da aurora como cenário de um lugar santo. Todos os fins de semana eu ia a esse ritual sagrado. Aos sábados, os músicos começavam a tocar na hora do almoço até alcançar o outro dia. A noite passava com alegrias sutis e havia o momento em que o corpo descansava porque o espírito se erguia. Afinal, o que realmente importava era a comunicação que havia além das palavras. Era a hora em que o mundo esperava, que o ar congelava e tudo simplesmente existia. Momento que o homem era mais que um homem. E que não era preciso pensar sobre a luta de classes, a natureza humana ou sobre o céu e o inferno.
Alguns dias eram mares bravios, outros luas repousantes. Segunda era o dia da apresentação dos músicos regionais. Poetas, artistas, intelectuais e estudantes se encontravam na cumplicidade de uma mesma busca. Era quando o silêncio dominava e algum artista tardio atravessava as escadas do cais. O coração batia ao reconhecê-lo e as palavras se desenvolviam no nada. Era nesse período de vazio, sem promessas, que o espírito se alçava e voava livre. Só se ouvia o próprio sentimento e a música tocava novamente, não como o fim de um silêncio, mas como o auxílio bendito de uma outra adoração.
Cais Bar era meu lugar no mundo. Um bar que me apresentou as coisas e os valores que atualmente trago em mim. Saí de Fortaleza, mas continuei a freqüentá-lo nas férias. Os garçons se tornaram grandes amigos e sempre me senti voltando para minha própria casa. Mas houve o progresso e tudo mudou. A região onde estava o Cais Bar foi afetada diretamente pelo turismo institucional. Em lugar da música, meninas eram vendidas por alguns dólares. “Meu bar” foi um dos últimos pontos de resistência. Em plena época de alta temporada fechou as portas e se manifestou contra o turismo sexual e predatório. No entanto, não conseguiu se manter com as exigências desse novo contexto. Enquanto a cidade se desenvolvia, meu lugar sucumbia. Cais Bar agonizava na medida em que eu perdia a minha fé. O lugar morreu assim como também morreram todas as minhas ilusões. Atualmente, vivo na ‘selva de concreto’, mas é inútil esquecer: há uma ausência. A falta de um lugar onde se encontra a si mesmo. Inútil fugir para outra cidade, pois viver à margem da orla e das estrelas não substituirá a memória do que fui e do que senti. Atualmente, a noite de Fortaleza não tem o mesmo encanto e a lua reflete apenas a sombra de um lugar que já padeceu. Ao invés de Cais Bar prevalecem espaços simulados e as recordações de um tempo que passou. Assim mesmo guardo uma certeza: há um modo mais leve de existir.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Hip Hopeless?

"O rap, assim como o pagode, é um ritmo mais comum entre as pessoas de classe social mais baixa". (Wikipédia). A frase, uma das definições contidas na enciclopédia livre eletrônica, dá uma boa noção da polêmica que envolve o que outrora foi denominado "ritmo e poesia". Então, tá. Rap é coisa de pobre e (oops, eu disse!) preto? De gente de um mundo bizarro, que solta um "cerrrto, mano" a cada meia frase e que sonha com carrões e mulherada - ou com um macho cheio de correntes pra chamar de seu? Bem, basicamente, sim.
E não.
Não me lembro a primeira vez que ouvi um rap. Lembro apenas que tinha absoluta consciência de que era algo que nunca, jamais, em hipótese alguma, seria tocado nas festinhas do colégio da vida toda, na Vila Mariana. Mas que era o som ouvido mais e mais nas festinhas promovidas pelos filhos dos amigos da família e nos lugares em que essa galera frequentava junta. Naquelas festas, o bailinho - sorry, eu tenho mais de 30 - era dançado ao som de Don't Dream It's Over, do Crowded House. Nestas, a troca de vassouras se dava ao som de I Wanna Be Your Man, do Zapp. Ok, ok, unidos pelo brega. Mas, tem noção???
O rap profissional, dono da grana hoje, é constrangedor. Por causa dele, eu tive de resgatar um cd esquecido no carro de um ex porque algumas letras davam vergonha, juro! Confesso que ver esses gringos fantasiados, cantando no meio de duas bundas - uma de cada lado do vídeo - me dá um pouco de preguiça. Assim como alguns brazucas raivosos e sexistas. Afe!
Mas existe coisa boa por aí. E isso até o fofo do Michel Gondry - aquele de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças - sabe. Dá uma olhada num documentário chamado Dave Chappelle's Block Party. Esqueça as bobagens do "comediante" Chappelle e tente ouvir gente como Erykah Badu, Jill Scott, Lauryn Hill, Mos Def, The Roots, Common, Talib Kweli e Dead Prez de mente aberta. Ou não.
Brown Sugar, um filme de 2002 que você não viu e que foi febre entre a galera que gosta de rap, tem encontros e desencontros pontuados por uma única frase: "When did you first fall in love with Hip Hop?"
No meu caso, tentar adivinhar elementos de músicas que ouço desde bebê em outras, mais modernas e cheias de energia, é diversão pura. Saber de cor e a quatro vozes (lembra, Fê?) a letra de Voz Ativa, também. Ou descobrir, aos 14, que Elvis não era um herói nem pra mim nem pra ninguém de um lugar chamado Brooklin, em Nova York, num verão de 89, simplesmente não tem preço.





segunda-feira, 28 de julho de 2008

domingo, 27 de julho de 2008

O Dia Em Que Charlotte Não Partiu...

Essa semana acompanhei Charlotte ao aeroporto. Nos despedimos emocionadas, falamos o que dava para ser dito naquele momento e vi minha grande amiga embarcar. Mas Charlotte não foi ao Canadá. Charlotte trouxe o Canadá até mim. Minha casa está repleta de Charlotte e do país que agora ela habita. Charlotte está no prédio, na minha cozinha, no meu computador. Está saltando no meio da noite e cantando como no Cirque du Soleil: "Alegria!". Ou balançado de um lado pro outro como um 'boneco de posto' fazendo os amigos chorarem de rir. Charlotte está aqui exatamente do jeito que sempre foi. Insistindo em me trazer pro chão usando o método "PEI, PEI". E continua me chamando pelos dois nomes quando quer minha atenção. Eu e ela seguimos a mesma rotina de cinema e café num pérpetuo Domingus Continum. Porque Charlotte não se foi. Charlotte está em mim. Ela povoou meu país deserto e ocupou uma área devastada do meu coração. E Charlotte continuará desbravando desertos e descobrindo mares de onde estiver. Mas, por favor, não me digam que Charlotte foi embora. Ela está um pouco mais distante dos seis andares que nos separava. Mas permanecerá rondando a minha casa, minha história e minha vida. Minha bebéia fica por mais que seu corpo se vá !!!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Winter Is Blue

A Stela Campos é a verdadeira mina do folk, como já disseram. Mais do isso, é uma super querida. Por termos passado um tempo juntas eu posso dizer que ela gosta muito do que faz. Gravou Céu de Brigadeiro, de 1999, Fim de Semana, de 2002, e Hotel Continental, de 2005. Neste último, eu estava por lá e vi e ouvi tudo! Dizem por aí que o novo disco foi gravado em 48 horas (eu disse ho-ras) e só falta mixar. O lançamento está próximo, aguardem.
Tenho certeza de que ela não vai lembrar. Mas o pinguinzinho que me deu quando fui embora está na minha mesa até hoje. Waiting for better winters.


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pequenas e Grandes Alegrias Cotidianas

Li recentemente um texto budista que fazia uma analogia entre a poluição do ar e os nossos pensamentos destrutivos. O ar não deixa de existir em sua pureza porque existem partículas poluentes. Elas são, em última instância, irreais. Assim como os pensamentos que distraem a mente.
O céu passou a ser mais vasto depois disto, e, à minha percepção, ouvindo a bela sinfonia nº 5 de Bethoven outra noite, regando as plantas, o céu apresentou-se gigantesco, vívido, encantado. A Lua mostrava-se cheia, resplandecente, e o brilho das estrelas iluminava minha aura. Foi como a união do tempo e do espaço.
Sou grata a estas epifanias, e também à felicidade nos pequenos encontros, descobertas e atitudes cotidianas. O encontro com novos e doces amigos, a descoberta de valorosas afinidades com uma colega de trabalho, uma rotina mais estimulante de trabalho, uma alimentação saudável, o alongamento da musculatura interna e o dizer-me neste espaço têm me trazido luz e suavidade, surpreendentes e gostosos presentes.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Lembranças De Uma Amiga...


Alguma dor chegou misteriosa e calma
E eu, náufraga de rasa água, com uma agonia mansa
Que mais parece cachorro quando geme de fome
Bicho que ao crepúsculo é terrível gigante
A matar-me lenta e impiedosamente
E que nesses dias rebeldes e ardis
Dorme em alguma secretíssima caverna.